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26 de dezembro de 2013

Abraçada

Amanhã fará um misero ano que não atulizo nada aqui e isso me causa vergonha. Então, depois de ouvir alguns amigos insistindo, eu resolvi que deveria voltar. Eu não sei como isso vai proceder, mas espero que seja de uma boa maneira.
A calçada e a rua eram estreitas de tal modo que os pedestres podiam caminhar lado a lado dos carros, cada esquina parecia se cruzar com a outra. O aglomerado de pessoas na calçada me abraçava. Talvez não fosse a melhor forma de toque, mas eu me sentia abrangida. Não pense que eu sou uma solitária, carente, mas eu gosto mais do mundo inteiro do que de uma pessoa só. O mundo em seu todo não te fere nos lugares mais dolorosos, porque ele não te conhece, porque ele não te sabe. Em muitas, até mesmo te oportuna o bem perene.
De longe eu avisto as bicicletas do Saint's Cooffe que estão sempre lá, completando a decoração em conjunto com as flores do lado de fora. Seu Pierre costuma dizer que as flores possuem a capacidade de suprir todas as dores e todos os males de uma pessoa. Por isso precisam ser trocadas todos os dias por novas para que continuem desenvolvendo o seu trabalho com tanta sutileza sem equívocos. Para ser sincera, eu não sei exatamente se isso acontece ou se é algo que seu Pierre inventou com a esperança de que as pessoas não deixassem de acreditar na felicidade. Porque, você sabe, não é? Quando acreditamos, acontece. É como se pudéssemos enganar a nós mesmos e a manifestação inteira do universo.
A calçada ainda estava apertada e eu ainda sentia o mundo me abraçar. Contudo, é lógico que eu prefiro um abraço que seja só meu, um carinho seja só meu e um lugar pra ficar que seja só meu. Mas eu quero que entenda: eu prefiro ser do mundo porque eu prefiro não sofrer.