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1 de maio de 2011

Tempo perdido

Foram horas de desespero naquele hospital, minha mãe me olhava a todo o momento e eu não sabia o porquê de ela continuar ali a me cuidar. Eu nunca ouvia nada do que ela dizia. Eu cheguei a pensar que ela tivesse desistido de mim depois de certo tempo pelas tantas besteiras que eu houvera feito, pois agora ela nem falava mais para eu me cuidar quando eu saia para rua. De qualquer modo, ela sabia que eu não me cuidaria e que faria o possível para não ficam bem.
Eu sempre fui tão fútil com ela, mas ela sabia o porquê, ela só não queria admitir. Pois aquilo tudo sempre foi culpa dela. Eu nunca houvera a perdoado pelo que ela fizera com Júnior, ela não estava em condições boas àquela época, mas isso não a dava motivos de sumir com meu irmão. Eu tinha cinco anos e ninguém para me explicar o que estava acontecendo, até porque eu não tinha ninguém. Só tinha comigo ela e Júnior, que mal cheguei a ter. Foram tardes inteiras sonhando com uma companhia para mim, pois ela não parava em casa e quando chegava era tarde e eu não estava mais acordado.
Mamãe nunca foi de se preocupar comigo antes, só ganhei a atenção dela depois que ela houvera arranjado um trabalho digno de sustentar uma família. Então nos mudamos de casa, ela me deu um quarto grande, me colocou em uma escola boa, me deu presentes e várias coisas, mas nada conseguiu mudar minha forma de pensar em relação a ela. Só depois que ela se manteve firme em questões econômicas que ela passou a me dar mais atenção, mas já era tarde e mais tarde ainda para contar o que ela houvera feito com meu irmão.
- Lucas, Júnior nasceu com imunidade baixa e onde vivíamos não era bom para ele, ele precisava morar em local sem contato com doenças. Lutei todo esse tempo para conseguir algo melhor para nós e no ano passado quando fui tentar adotá-lo no orfanato que eu houvera o deixado, era tarde de mais. Seu irmão havia pego o vírus de uma menina que estava doente e não resistiu.
Minha cabeça naquela hora ficou embaralhada, eu não conseguia pensar em nada concreto, não sabia nem o que fazer. Então saí correndo para a rua, bati em um caminhão, ouvi alguém gritar por meu nome e tudo ficou escuro.
Até que acordei agora nesse quarto branco de hospital. No momento consigo me lembrar claramente de tudo, mas não sinto parte alguma de mim, nem meu coração batendo eu sinto mais. Coração que, segundo a máquina que está ao meu lado, tem seus batimentos a cada minuto mais lentos. Minha mãe está ao o lado esquerdo do pé de minha cama, chorando, por sinal. Após ver que acordei, ela em um pulo veio até mim. Pediu desculpas e sem que houvesse sobrado tempo para eu respondê-la muitos médicos entraram ás pressas em meu quarto, até que um disse para minha mãe que eu estava partindo.
OI? Eu ainda estava ali e eles falando que eu iria partir? Minha mãe começou a gritar descontroladamente e eu pensei nessa hora no quanto de tempo nós dois havíamos perdido com tantos desprezos. E então eu senti, eu ainda tenho uma última coisa pra fazer:
- Mãe?!
Ela nessa hora ergueu seu rosto a mim procurando vir em minha direção apressada. Ela lutou contra as forças de enfermeiros que tentaram a segurar para que não se aproximasse, mas ela os venceu. Chegou perto de mim, pegou na minha mão e fez uma cara com ar de: - Sim meu filho?!
- Mãe, eu te amo.
Eu vi minha mãe chorar. Sem que ela pudesse responder tudo ficou embaçado e tudo começou a escurecer. Minha mãe gritava desesperada. Então tudo apagou e eu não pude pensar mais em nada. Nem em minha mãe, nem em Júnior e muito menos em como tudo poderia ter sido diferente.


Pauta para a 65ª Edição Conto/História do Bloínquês