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30 de junho de 2011

Anjinho

O mundo se movia em sentidos contrários, haviam caminhos que levavam e caminhos que traziam. A dor sufocava minha alma, as lembranças torturavam meus sentidos. Não tinha como fugir do que eu sentia no momento, eu senti por tanto tempo a mesma coisa e só agora aquilo foi doer.
Joguei um pouco da angústia no caminho que levava, mas em troca veio-me as lágrimas do caminho que trazia. Doía mais ainda? Claro, sem dúvidas. Esqueci por dez segundos, uma goma adoçava minha boca, então: limão? Azedou-se. Tudo tem sido bom e doce por pouco tempo ultimamente, joguei minha raiva no caminho que levava e tive uma sorte: veio um sorriso no caminho que trazia. Descansei aquela noite com a satisfação daquele único e raro sorriso.
O sol iluminou meu quarto de cor clara, mas fora o fato do meu quarto estar iluminado aquela manhã, algo a mais me chamava atenção: os pássaros cantavam alto. A porta abriu. Era Magda com meu café da manhã e minha seringa, digo, sua seringa. Ela estava sorridente, uau! Tudo estava um tanto diferente naquele início de dia, talvez fosse um bom sinal, mas não dei bola a isto. Dormi.
Passos, sombras tampando a claridade, vultos, calor aproximando-se, abri meus olhos.
- O que você está fazendo aqui?
- Olá anjinho. _Disse aquela voz que não saia de mim, que persistia em continuar me controlando.
Esfreguei os olhos para saber se aquilo que via era real. Pois era, pelo menos para mim.
- Já perguntei. O que você está fazendo aqui?
- Eu vim buscá-la Annie.
Meu corpo ficou gélido, meus olhos se arregalaram. Isto não podia ser real, ou podia?
- Você está mordo Christian!
- Agora você também anjinho. _Sorriu feliz e começou a cantar:
''...you tell me where to go and
though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
without my hand behind it..."
- Eu amo você anjinho.
Não sabia o que estava acontecendo, mas ele ergueu-me sua mão e uma forte luz veio em minha direção. Minha alma não queria ir, mas eu queria. Eu o amava. Minhas mãos gélidas pela tenção e lentas pela incerteza agarraram aquele tubo de oxigênio. Não sabia se devia avisar alguém, melhor não facilitar a minha volta não é? Então fechei os olhos, firmei minha mão no tubo e puxei.

19 de junho de 2011

Quando não está aqui



Quando você não está aqui é como se um pedaço do sol fosse roubado pela escuridão,
como se algo faltasse no mundo.
Como se os sonhos tivessem morrido para os pesadelos,
e as flores tivessem caido em peso no chão.
Procuro palavras, sentidos, formas de continuar, 
todos meus caminhos ligados a apelos de forma irregular.
Formas já não sei mais, mas tento em contrapartida lhe mostrar
que vivo hoje, amanhã e sempre somente para lhe amar.

11 de junho de 2011

Grito!


Insolente como a boca que traz o grito
Que invade o agir de ouvintes calados.
Gritos que somem em suspiros com agitos
De promessas e surtos permanentes guardados.