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11 de outubro de 2015

Não ser um salmão

Ando nauseada. Nauseada pela indigestão que tenho tido do mundo. Pelas barbáries que tenho tido que ouvir. Pelas palavras que descem secas e ásperas pela minha faringe ao evitar expô-las. Ando nauseada da minha incapacidade de solucionar os problemas, pela minha habilidade supernatural de me acomodar com determinadas circunstâncias a fim de que eu não sinta dor. A comodidade sempre me pareceu triste. Não ir contra a correnteza... Não ser um salmão... Não combinam com minha personalidade. Mas parece que um meteoro caiu na minha cabeça e eu esqueci totalmente da realidade que eu tinha. Eu vivo constantemente com medo. Medo de que as coisas mudem; medo de que continuem iguais. Mudanças nunca foram fáceis para mim e mesmice nunca se encaixou na minha vida. Estou internamente em uma fusão de sentimentos que me assombram. Queria sentir menos, porque às vezes me assusta imaginar que talvez eu sinta demais por todos aqueles que não sentem nada. Confusão tem se tornado uma palavra amiga. Intolerância tem se tornado uma parasita. E os desejos que eu tenho não são mais capazes de cobrir toda a insatisfação que eu tenho do mundo. Minhas escritas já não andam mais tão belas. Quando as palavras começam a virar depreciação, o suicídio de alguma coisa começa a acontecer. E a pior coisa que pode acontecer é não reconhecer qual de suas partes se suicidou.

2 comentários:

  1. Mas chego a me indagar demais. A realidade é monótona sem parecer que é. Ao lado esquerdo do peito sinto uma dor, pulsa mais forte e mais fraco. A cada mudança essas oscilações acontecem. A cada rotina fatigante, o mesmo acontece. E quem disse que realidade não assusta? O monstro debaixo da minha cama. Descobri que era eu mesmo, o tempo todo. Era lá que eu guardava meus escritos, minhas revelações, angústias, medos, pretensões, esperanças. E para quê ser uma máquina de sentimentos nesse mundo cheio de incompletudes? Há algo que cresce onde tudo morre, há algo dentro da gente que nunca perde força, que não necessita de combustível algum. São nesses começos que me indefino. Não gosto de coisas crescendo, me remete à biologia, reinos, plantas. Ok, paramos por aqui. Gosto quando coisas transformamos, o tempo, o suor, a calma, a serenidade, o resultado. Tantas palavras ditas nesse texto. Duas pessoas o escreveram, uma de dentro de um livro empoeirado; o outro, de uma gaiola com vista para a biblioteca. Contudo, não há relação alguma entre esses dois sujeitos e o lugar de onde escrevem. Por mais que desejemos que fosse, nem tudo é metáfora. Eu me distraio no caos e lá fico por horas, meses ou dias; minutos, segundos e eternidades. Não é para ser justo, é apenas um cerimonial para o dia das bruxas. Amanhã? Mais alguns suicídios desmotivados, goles insípidos da minha indigestão, alguns parasitas e náuseas.

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