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9 de novembro de 2011

Alguém, Zé.


"Tem uma espécie de certeza que aparece de vez em quando aqui dentro da gente, uma certeza de que nada irá mudar e de que isso será pra sempre, mas a gente esquece que o pra sempre sempre acaba. Porém fingimos que não é assim, fingimos que não sabemos disso e por contra própria nos iludimos. Nós: generalizei mesmo. Eu mesma fingi, eu mesma me iludi. Eu podia não ter acreditado, mas acreditei... Ah, será que até em monólogos eu preciso cobrar algo de mim mesma? Poxa vida! Mas sabe, não dói. A fase em que doía passou, hoje mesmo me machuquei para ver se ainda sentia, se ainda sabia..."
- Para você, moça?
- ...Um café, com muito açúcar, por favor.
- Só um momento.
Vejamos: "...Se eu ainda sabia que uma vida sem sentidos é uma vida..."
- Aqui está, doçura.
- Mas de novo, Zé?! - disse irritada.
- Calma moça, calma. Só trouxe seu café, com muito açúcar.
- Tá bom, obrigada. - disse sem ser tão agressiva desta vez e ele, compreendendo, me retribuiu um sorriso.
- Ei, Zé. Quantas colheres de açúcar tu colocaste aqui?
- Três, moça.
- TRÊS? Está brincando? Quero dez!
- Mas não vai ficar muito doce, pequena?
- Não Zé, de amarga já basta a vida.
- Já sei... Foi ele, o que ele te fez, pequena?
- Ele quem? Ninguém me fez nada, Zé. Deixa de bobagem.
- Não me enrole moça, eu sei que ele não está mais aqui, não é isso?
- É Zé, mas me deixa esquecer isto, vai.
- Tudo bem, só acho que você não deveria ficar aí parada, você sabe bem o que Caio disse: "No momento que as pessoas se afastam, elas estão irremediavelmente perdidas uma da outra."
- Eu sei, Zé. Mas você quer que eu faça o quê?
- Se você não quiser perdê-lo, vai atrás pequena.
- E acabar com essa distância entre nós dois?
- É o que você quer, não é?
- É, mas...
- E de tantas conjunções adversativas você só vai acabar no mesmo lugar.
- ...
- Vá, pequena. O brilho no seu olhar ao falar dele não nega que o que tu queres mesmo é estar ao lado dele.
- É, Zé. Eu vou, só achava que... Ah, eu vou depressa e deu. Te gosto, Zé. Muito. - disse saindo às pressas.
- Espere... E seu café?
- Fica para uma outra, Zé. Até logo.
Desta vez nem Zé, nem ninguém me interromperá: "...Uma vida sem sentidos não existe, não é uma vida. Uma vida precisa de sentidos, precisa de doçura, precisa de amor. A verdade é que todo mundo precisa de alguém que nos faça bem. Que nos deixe bem. E uma hora ou outra esse vem, só basta saber se você vai dizer que realmente o tem."

22 de outubro de 2011

Não desisti, não.

Saberia distinguir um pesadelo com você,
Saberia esquecer de te esquecer. 
Saberia por tudo atrever-se de propósito, 
Sem demonstrar tal sentido de porquê. 

Quem sabe o mundo ajudasse,
Quem sabe eu conseguisse.
Quem sabe eu tentasse, 
Mas espero amanhecer. 

Quando escurecer pode ser tarde, 
Mas vou lembrar de não me perder. 
Vou lembrar de coisas que não vivi e sentir saudade, 
Saudade de ter você. 

O dia vem, trazendo consigo outra chance, 
Não vou desistir agora, vou seguindo adiante. 
Sigo o caminho, parecem pegadas no chão, 
O vento veio e esculhambou meu coração. 

Queria estar aí agora, 
Mas meu pé ficou preso no chão.
 Há horas meus passos estavam lentos, 
Há horas insistentes em vão. 

Parece que meu corpo nega a felicidade, 
Felicidade de te ter em mãos. 
Parece que nega sua essência, 
Sua razão e sua motivação. 

Porém me encontro na sua frente, 
E te digo não me deixes por favor.
 A areia prendia meus pés
O vento esculhambava meu coração, 
Meu corpo era contra nós, 
Mas eu não desisti de você, não. 

Este "poema" eu escrevi faz algum tempo, mas estava entre meus rascunhos e resolvi postar ele aqui.

31 de agosto de 2011

Bolitas cor de mar e pérolas preciosas.

Bolitas cor do mar direcionaram a mim, eu suspeito que tenha sido para mostrar aquelas pérolas. Entender? Eu? Jamais. Sinto-me insegura de mim, por outra vez segura por si, de si, você, de você, de ti. Insegura por amar bolitas cor-de-mar e pérolas preciosas. Ah, essas pérolas, que eu daria tudo para que fossem minhas ou que existissem - aparecessem - por mim. Talvez a insegurança da segurança que juntou os dois, juntou o segundo com o primeiro, me trouxe um só. Um só elemento completo por me completar. Seguro por me assegurar. Completo por dar algo que nunca tive esperança de dar antes, algo que supostamente seria só meu por toda vida. Compartilhei o órgão mais implícito de meu corpo com aquelas bolitas cor de mar. Doei aquilo que pouco tenho longe daquelas pérolas, não sei... Já ouviste falar de esperança? Então... Ela desaparece às vezes. É só comigo? Seria tão rude em não perceber que aquelas bolitas cor de mar e aquelas pérolas preciosas não tivessem o sentido relacionado a mim. O sentido que nos faz enlouquecer, pirar, chorar ou que apenas nos faz feliz pela vida inteira. Aquilo não existia para mim e sabem-se lá borboletas se existiria um dia. Porém isso era o que menos me atingia, isso nunca houvera atingido, se não me lembro mal. Tudo se conquista com o tempo, assim como tudo se perde com o tempo. Mas as bolitas cor de mar e as pérolas preciosas me davam esperança, esqueceste? Ah, como a doçura da falta de certeza por vezes era boa. Doçura, digo. Mentindo falando a verdade, pois nunca houvera mentido a ponto de não falar a verdade. Esqueci que mentir é ruim e ao mesmo tempo lembrei que falar a verdade doía mais. Pois então eu seguia sempre assim com aquelas bolitas cor de mar, aqueles olhos cor de mar, para falar a verdade; e aquelas pérolas preciosas, sorriso para continuar falando a verdade, sorriso precioso, único e incomparável, difícil de tirar, porém nunca fora impossível desde que descobri que ele viera sendo contínuo por mim. Difícil seria ficar insegura na certeza do sentido, do amor - para não começar a mentir novamente- . Não planejava futuros distantes com aquele mar e aquela ostra - é de onde as pérolas vêm, não é? - porém Deus me deu o que não esperava, simplesmente por não esperar. Mas em troca deu-me o que gostava, adorava - ah, não vou mentir - o que eu amava.

27 de agosto de 2011

Talvez pudesses, só meu.

Estaria perdida em traços envolventes. Em cavernas obscuras e desconhecidas. Encontrar-me-ia em mantos de seda, em suspiros e melancolias. Se tu ouvisses o que teria a lhe dizer talvez tu não acreditarias, porém incluo minhas falas carregadas de sentidos carregados de amor. Talvez de dor. Tu descobririas que tudo pode ser disfarçado, basta apenas um bom ator. Não acreditarias no que te dissesse, pois sempre houvera acreditado no simples e no comum. Não acreditarias que o infinito coubesse em mim, embora mentira fosse, pois tal amor, ou dor, nem cabe em mim, quem dirá o infinito que possui amores, ou dores, de pessoas de muitas partes do mundo. Desconheceria o caminho, pois ele não faria sentido, te encontraria na metade, e tu acreditando em mim, acreditando em meus sentidos. Talvez pudesses me responder, depois de caminhar por quilômetros e ver extensas áreas cobertas de sentidos desencontrados e despercebidos, ignorados. Talvez pudesses acreditar no que eu sentia e pudesses sentir o mesmo, ou caminhar comigo. Talvez pudesses retribuir tamanha alegria, tamanha felicidade, entenderias o amor de verdade. Encontrar-te-ia e diria que o sol nunca houvera brilhado assim e que sua forma houvera mudado por hoje. Dirias que a lua nunca houvera iluminado tanto uma noite e apontaria para uma estrela e diria que um dia tu parecias ser e estar como ela. Tão linda que me fizeras sonhar e tão longe que quase me fizeras desistir. Longe como o fim do oceano e o fim da soma dos números, como a descoberta de todas as palavras e impossível como a conquista de tudo que se quer. Embora depois que te encontrarias e tu retribuísses tal sentido, eu teria tudo que preciso e mais do que mereço, minha felicidade seria completa se tu fosses meu. Intensamente meu e enormemente meu. Ou melhor ainda, só meu.

30 de junho de 2011

Anjinho

O mundo se movia em sentidos contrários, haviam caminhos que levavam e caminhos que traziam. A dor sufocava minha alma, as lembranças torturavam meus sentidos. Não tinha como fugir do que eu sentia no momento, eu senti por tanto tempo a mesma coisa e só agora aquilo foi doer.
Joguei um pouco da angústia no caminho que levava, mas em troca veio-me as lágrimas do caminho que trazia. Doía mais ainda? Claro, sem dúvidas. Esqueci por dez segundos, uma goma adoçava minha boca, então: limão? Azedou-se. Tudo tem sido bom e doce por pouco tempo ultimamente, joguei minha raiva no caminho que levava e tive uma sorte: veio um sorriso no caminho que trazia. Descansei aquela noite com a satisfação daquele único e raro sorriso.
O sol iluminou meu quarto de cor clara, mas fora o fato do meu quarto estar iluminado aquela manhã, algo a mais me chamava atenção: os pássaros cantavam alto. A porta abriu. Era Magda com meu café da manhã e minha seringa, digo, sua seringa. Ela estava sorridente, uau! Tudo estava um tanto diferente naquele início de dia, talvez fosse um bom sinal, mas não dei bola a isto. Dormi.
Passos, sombras tampando a claridade, vultos, calor aproximando-se, abri meus olhos.
- O que você está fazendo aqui?
- Olá anjinho. _Disse aquela voz que não saia de mim, que persistia em continuar me controlando.
Esfreguei os olhos para saber se aquilo que via era real. Pois era, pelo menos para mim.
- Já perguntei. O que você está fazendo aqui?
- Eu vim buscá-la Annie.
Meu corpo ficou gélido, meus olhos se arregalaram. Isto não podia ser real, ou podia?
- Você está mordo Christian!
- Agora você também anjinho. _Sorriu feliz e começou a cantar:
''...you tell me where to go and
though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
without my hand behind it..."
- Eu amo você anjinho.
Não sabia o que estava acontecendo, mas ele ergueu-me sua mão e uma forte luz veio em minha direção. Minha alma não queria ir, mas eu queria. Eu o amava. Minhas mãos gélidas pela tenção e lentas pela incerteza agarraram aquele tubo de oxigênio. Não sabia se devia avisar alguém, melhor não facilitar a minha volta não é? Então fechei os olhos, firmei minha mão no tubo e puxei.

19 de junho de 2011

Quando não está aqui



Quando você não está aqui é como se um pedaço do sol fosse roubado pela escuridão,
como se algo faltasse no mundo.
Como se os sonhos tivessem morrido para os pesadelos,
e as flores tivessem caido em peso no chão.
Procuro palavras, sentidos, formas de continuar, 
todos meus caminhos ligados a apelos de forma irregular.
Formas já não sei mais, mas tento em contrapartida lhe mostrar
que vivo hoje, amanhã e sempre somente para lhe amar.

11 de junho de 2011

Grito!


Insolente como a boca que traz o grito
Que invade o agir de ouvintes calados.
Gritos que somem em suspiros com agitos
De promessas e surtos permanentes guardados.

1 de maio de 2011

Tempo perdido

Foram horas de desespero naquele hospital, minha mãe me olhava a todo o momento e eu não sabia o porquê de ela continuar ali a me cuidar. Eu nunca ouvia nada do que ela dizia. Eu cheguei a pensar que ela tivesse desistido de mim depois de certo tempo pelas tantas besteiras que eu houvera feito, pois agora ela nem falava mais para eu me cuidar quando eu saia para rua. De qualquer modo, ela sabia que eu não me cuidaria e que faria o possível para não ficam bem.
Eu sempre fui tão fútil com ela, mas ela sabia o porquê, ela só não queria admitir. Pois aquilo tudo sempre foi culpa dela. Eu nunca houvera a perdoado pelo que ela fizera com Júnior, ela não estava em condições boas àquela época, mas isso não a dava motivos de sumir com meu irmão. Eu tinha cinco anos e ninguém para me explicar o que estava acontecendo, até porque eu não tinha ninguém. Só tinha comigo ela e Júnior, que mal cheguei a ter. Foram tardes inteiras sonhando com uma companhia para mim, pois ela não parava em casa e quando chegava era tarde e eu não estava mais acordado.
Mamãe nunca foi de se preocupar comigo antes, só ganhei a atenção dela depois que ela houvera arranjado um trabalho digno de sustentar uma família. Então nos mudamos de casa, ela me deu um quarto grande, me colocou em uma escola boa, me deu presentes e várias coisas, mas nada conseguiu mudar minha forma de pensar em relação a ela. Só depois que ela se manteve firme em questões econômicas que ela passou a me dar mais atenção, mas já era tarde e mais tarde ainda para contar o que ela houvera feito com meu irmão.
- Lucas, Júnior nasceu com imunidade baixa e onde vivíamos não era bom para ele, ele precisava morar em local sem contato com doenças. Lutei todo esse tempo para conseguir algo melhor para nós e no ano passado quando fui tentar adotá-lo no orfanato que eu houvera o deixado, era tarde de mais. Seu irmão havia pego o vírus de uma menina que estava doente e não resistiu.
Minha cabeça naquela hora ficou embaralhada, eu não conseguia pensar em nada concreto, não sabia nem o que fazer. Então saí correndo para a rua, bati em um caminhão, ouvi alguém gritar por meu nome e tudo ficou escuro.
Até que acordei agora nesse quarto branco de hospital. No momento consigo me lembrar claramente de tudo, mas não sinto parte alguma de mim, nem meu coração batendo eu sinto mais. Coração que, segundo a máquina que está ao meu lado, tem seus batimentos a cada minuto mais lentos. Minha mãe está ao o lado esquerdo do pé de minha cama, chorando, por sinal. Após ver que acordei, ela em um pulo veio até mim. Pediu desculpas e sem que houvesse sobrado tempo para eu respondê-la muitos médicos entraram ás pressas em meu quarto, até que um disse para minha mãe que eu estava partindo.
OI? Eu ainda estava ali e eles falando que eu iria partir? Minha mãe começou a gritar descontroladamente e eu pensei nessa hora no quanto de tempo nós dois havíamos perdido com tantos desprezos. E então eu senti, eu ainda tenho uma última coisa pra fazer:
- Mãe?!
Ela nessa hora ergueu seu rosto a mim procurando vir em minha direção apressada. Ela lutou contra as forças de enfermeiros que tentaram a segurar para que não se aproximasse, mas ela os venceu. Chegou perto de mim, pegou na minha mão e fez uma cara com ar de: - Sim meu filho?!
- Mãe, eu te amo.
Eu vi minha mãe chorar. Sem que ela pudesse responder tudo ficou embaçado e tudo começou a escurecer. Minha mãe gritava desesperada. Então tudo apagou e eu não pude pensar mais em nada. Nem em minha mãe, nem em Júnior e muito menos em como tudo poderia ter sido diferente.


Pauta para a 65ª Edição Conto/História do Bloínquês

13 de abril de 2011

Era assim



Mesmo na minha infância, já tinha planos prontos,
Mas quando cresci eles todos voaram soltos.
Gostava do meu jeito de ser sincera e de falar a verdade,
Pois com certas mentiras hoje meu coração arde.
Gostava de rir, de pular e de chorar sem vergonha.
Gostava de ser feliz e de me lambuzar com pamonha.

Pauta para a 7ª Edição Alternativa do Créativité.

5 de abril de 2011

Tempo perdido, desvalorizado, mentido e por fim, vivido.



As pessoas descrevem seus esquecimentos,
e culpam sempre sua falta de tempo.
Deixam de realizar seus planos e sonhos,
pelo tempo que acham não pertencer a seus patrimônios.

Vivem dizendo que há contratempos,
mentiras não convencidas, onde estão os sentimentos?

E com essas mentiras só sentem falta de tempo;
tempo de amar, de viver, de causar e de se atrever.
Pois além de tudo, são as lembranças boas que ficarão.
E vocês verão, que a única falta que haverá no fim
será a falta do que você passou enfim.
Mesmo que no meio de tudo tenha aprendido a não a desvalorizar,
são tempos que não irão voltar.

Pois na sua lembrança eles estarão lá e ali, 
mas nunca voltarão a estar aqui.


Pauta para a 33ª Edição Poemas do Bloínquês.

18 de março de 2011

Se algo ainda funciona


Se algo ainda funciona aqui dentro,
que trate de me avisar.
Pois o meu lado esquerdo,
eu posso perfurar.

Se algo ainda funciona aqui dentro,
que trate de me avisar.
Porque eu posso obedecer o vento,
e a minha alma abandonar.

Então, eu peço:
se algo ainda funciona aqui dentro,
que trate de me avisar.
pois não vou perder mais tempo,
e deixar minha vida sem você:
durar.

3 de março de 2011

Pelo orgulho de Sara

Sem me preocupar com outras coisas alheias, lembrei-me que seria amanhã após o almoço que eu partiria. Partiria rumo a ajudar pessoas necessitadas, sem saber se eu iria voltar de lá, viva e em condições de continuar criando e educando minha filha.
Meu último dia ao lado dela, passava voando, cada minuto que eu esperava demorar, passava mais ligeiro como nunca havia passado antes na vida de qualquer mulher. Sara, era a coisa que eu mais amava na minha vida, e quando a vi me entregando aquela folha ofício com um lindo desenho nela, composto por mim, ela e Fernando. E com aquele lindo sorriso, cujo mesmo lhe faltava dois pequenos dentes na parte de baixo, ela veio dizendo que iria sentir minha falta, com sua voz doce, e pura. Ela se lamentava questionando-me que quem agora faria o letinho matinal dela, cujo mesmo só eu soubera fazer igual. Questionou também sobre quem faria o chá de melissa dela, desligaria as luzes da sala e a colocaria deitada no sofá ouvindo opera. Eu não imaginara que aquilo, fosse tão importante pra ela.
Sara, tinha sido criada com amor, carinho e atenção. Eu pedia para ela, que aproveitasse e guardasse cada momento bom que ela vivia, para depois contar aos seus filhos, pois eu não me lembro de algo bom na minha infância. Então eu dava a Sara, tudo que pude dar de melhor para que ela fosse uma criança feliz, e pelo modo de ter questionado aquilo foi o suficiente para me convencer que eu havia conseguido, foi assim, que na mesma hora, lágrimas caíram sobre meu rosto, escorrendo calmamente sob o contorno de minha face.
- Mamãe, você está triste? Foi algo que eu fiz? - Perguntou minha pequena amedrontada, com aquela voz linda.
- Claro que não filhinha, apenas vou sentir sua falta também. - Disse tentando roubar um sorriso daquele lindo rosto.
Ela de fato, sorriu. Disse que me ama e foi correndo para seu quarto. Eu não entendi o motivo daquela pressa toda, só vi ela voltando com suas bonecas prediletas em mãos.
- Tome mamãe, hoje eu vou deixar você brincar com a Larie, porque você merece. Ah! E quero que você leve o Sr. Dingool com você, para você não sentir medo. Ele sempre me ajuda a diminuir o medo. - Disse Sara me alcançando sua boneca predileta e indo buscar seu “boneco-tira-medo”, como eu costumava chamar. Seu famoso Sr. Dingool.
Eu, sem pensar sorri, e mais lágrimas caíram sobre meu rosto, porém, Sara desta vez não perguntou nada.
- Calma mamãe. Também sentirei sua falta. - Disse minha garotinha.
Eu nem tinha ido, e mal esperava para minha volta. Logo, logo a noite caiu e após ela veio a manhã. Sara acordou a mim e a Fernando na cama.
- Bom dia mamãe! Bom dia papai! A tia Iraci preparou um café da manhã e um bolo para nós, se apressem, senão vou comer tudo sozinha! - E assim ela saiu correndo em direção a cozinha.
A tal tia Iracema, era a "empregada-babá", cuja mesma agora, cuidaria de Sara para mim enquanto eu estivesse fora.
Eu mal consegui comer, apesar de estar tudo maravilhoso! E como as outras horas, o almoço passou ligeiro. E enfim chegou a hora de ir ao aeroporto.
- Mamãe, mamãe! Se apresse! Senão vai se atrasar!
Eu estava dando adeus a Iracema e terminando de dar as últimas dicas.
Chegando ao aeroporto, Fernando se encarregou de apanhar minhas malas, e eu fui desembarcar Sara.
- Tome mamãe, não vá esquecer-se do Sr. Dingool não é? - Disse Sara, me alcançando aquele boneco de cor verde clara.
Eu sorri e peguei o boneco e o inclui em minha mala.
Fernando chegou, e assim mesmo me despedi dele, quando eu ouvi aquela voz de aeroporto:
- Passageiros do voo 246, se direcionam ao local de embarque, o avião sairá em 30min.
E então, eu olhei para minha garotinha, e ela veio em minha direção, nunca me esquecerei daquele momento, ela com seu cabelo castanho claro que tinha "cachinhos" nas pontas, e aquela blusa listrada, que ela tanto gostava usar, vindo a mim de braços abertos, como quem deseja abraçar o mundo. E enfim, eu e abracei. Havia uma dor muito grande por dentro de mim, ter que deixar minha pequena, mas aquilo tinha que ser feito, talvez aquele dia aquilo doesse, mas quem sabe ela se orgulharia de mim no futuro? Pessoas precisavam de ajuda, pessoas precisavam de mim. Aquele abraço foi forte, foi o abraço de uma criança que tinha medo de perder sua mãe. Talvez o medo dela estivesse sendo correto, mas minhas esperanças eram de que não. Minhas lágrimas molham literalmente, o ombro de sua blusa favorita. E ela olhando  para mim inconformada por isso, falou:
- Ei mamãe! Você está me molhando! Eu também vou sentir sua falta.
E assim deixei minha garotinha e o amor da minha vida lá, de pé. Vendo-me partir para uma longa viagem, de fato, muito longa. Meus passos eram dados com muito cuidado, com medo de que desse algo em mim que me fizesse voltar e desistir de tudo! E ficar ali, com minha família. Mas novamente senti que aquilo sim, teria que ser feito.
Dei um ultimo olhar para trás e Sara fez "Tudo Certo" com o dedão, e assim embarquei naquele voo, com o Sr. Dingool sob meu colo, pois esta seria minha única lembrança material dela.


Por: Eduarda Domingues Kohls

Pauta para a 58ª Edição Visual do Bloinquês

O texto ficou extenso sim, mas eu gostei, você gostou? Sim? Não? Me diga! 

20 de fevereiro de 2011

Ansioso Coração

Pedro havia conhecido Mariana a dois meses, cujo os quais foram os melhores da vida dele.  E o maior desejo dele era tê-la junto com ele em todos os momentos, mas Mariana não tinha a mínima ideia disso. Ela não sabia ao menos se ele gostava do jeito dela de ser, mas ela era totalmente apaixonada por ele. Os dois, haviam se visto somente cinco vezes nesses dois meses. Cinco vezes, totalmente suficientes para criar o laço de amor que havia entre eles. Os pensamentos de Pedro eram inteiramente dedicados a Mariana, ele já não sabia o que fazer, pois  coragem para se declarar o faltava. Ele tinha medo de receber um imenso "NÃO!" ou quem sabe até uma difícil cortada dolorosa.Difícil, pois Mariana era a moça mais delicada e linda que ele já tinha conhecido.
Então, numa bela manhã do dia 22 de Novembro, ele decidiu acabar logo com a angustia que o tomava por inteiro. E depois de pensar mais de dez vezes, ele pegou seu telefone, e ligou para ela. Ele não contou nada sobre o que planejava, apenas pediu para vê-la.
Mariana, surpresa, aceitou. Pois nunca passara pela cabeça dela esse tal momento. Então, marcaram de se encontrar no parque da cidade no final da tarde. Pedro, muito ansioso, começou a se arrumar. E a cada momento que parava para ver como estava de aparência, ele pensava em Mariana e nas possibilidades de ela estar a todo momento com ele.
Enfim, chegou o final da tarde, e ele se direcionou apressadamente para o parque. Mariana ainda não havia chegado, ele olhou para o relógio, cujo mesmo marcava 17:05, e, olhando ao seu redor, avista Mariana entrando no parque. Ele vai ao encontro dela, com um belo sorriso no rosto. Ela o vê e o abraça. Naquele momento o coração de Pedro dispara. Então ele a convida pra ir tomar chocolate quente no Bullet's. E foram para lá.
Já marcava 18:10 e o sol ainda não havia sumido. Então ele a levou de volta para o tal parque e decidiu que aquela seria a hora.
- Mariana?
- Sim Pedro?
- Eu, eu, eu..
- Pedro?
- Eu preciso dizer que... Dez do primeiro dia que eu a vi, me apaixonei. Você é totalmente encantadora. Não tenho duvida alguma que quero tê-la ao meu lado, por favor, posso parecer indecente e meio apressado, mas minha decisão está tomada. Não, não vou pedi-la em namoro não, e sim em casamento.
Mariana totalmente sem jeito, fica espantada.
- Pedro, eu..
E interrompendo Mariana no mesmo momento, apresentando uma bela caixinha com um anel lindo dentro, ele diz:
- Mariana. Não, não quero que fale nada, por favor. Agora tomei coragem e vou adiante. Então... Casa comigo?
Mariana olha para ele com os olhos cheios de água. Pedro fica tenso. E Mariana depois de cinco segundos de silencio, responde:
- Sim Pedro! Eu aceito casar com você, e ser sua, somente sua.
Então, uma felicidade imensa preenche o coração de Pedro e ele com o mais lindo sorriso e a mais verdadeira lágrima, a beija.
Não se sabe, se aquele foi o inicio de um grande amor, mas foi o inicio de um amor eterno.



Pauta para a 57ª Edição Visual do Bloínquês.

11 de fevereiro de 2011

Quando eu tinha você ao meu lado

Quando eu tinha você ao meu lado,
os problemas pareciam se desviar de mim..
os problemas e o mundo;
pois meu mundo, era você.
Então, depois que você se foi,
comecei a enxergar o tanto de problemas que existem..
e também, percebi, que eles não se desviavam mais,
vinham diretamente para mim.
Como se alguém os tivesse mirado exatamente para cá.
E vi, o quanto de tristeza e dor você me poupava,
e o quando de paz e alegria você me preenchia.
Hoje, a unica coisa que eu desejo é voltar a ser feliz,
feliz como antes, feliz contigo.
Ouvir você falar que me ama e ao mesmo tempo, 
ver aqueles problemas se desviarem, de um jeito
que eu nunca vira antes.
Hoje o que desejo, é ter você!

18 de janeiro de 2011

Preciso de ti

Meus dias ficam coloridos sem você 
pois hoje prefiro o preto e branco.
Preto e Branco, apenas duas cores,
como eu e você, apenas nós dois.
Você se esconde sem mim,
e a terceira pessoa ganha a brincadeira.
Me leve onde você for, ou pelo menos deixe uma trilha
para que ela eu siga.
Me diga onde você está,
que ao seu encontro, eu irei.
Me diga o que te faz feliz,
e eu te direi o que me faz.
Venha aqui e me abraçe, e diz que não irá soltar,
pois sem ti, não irei aguentar...
Não, não vá embora, fique onde está,
pois sem você, a tristeza irá chegar.
Não, não me abandone,
pois no mundo, desse jeito, só você que eu vou amar.
Não, não se despeça,
a não ser que tenha certeza que irá voltar...
Ou então, me leve contigo, contigo eu quero andar.
Não, não me deixes, pois sem ti,
 minha vida irá acabar.

17 de janeiro de 2011

Sem você: sem vida .

Sinto-me só, sem vida. 
sinto como se alguém tivesse tirado daqui de dentro
a unica coisa que ainda restava: meu coração.
À dias, eu sentia ele bater mais devagar, sem preça, sem motivo.
hoje não há nada aqui dentro, porque você tirou.
A unica coisa que existia por ti se foi,
e nem pedaçinhos,
para que eu pudesse continuar te amando,
restou.
Minha vida hoje sem nada, e principalmente, sem você
é como um sonho escuro,
onde você anda e não chega a lugar algum, muito menos vê lugar algum.
Ando pelos cantos, na sombra dos outros,
pois nem a minha me faz companhia mais.
E se você voltasse pra mim,
eu faria tudo mudar, como uma mágica, tudo iria voltar,
meu coração por ti a bater e o meu grande motivo, por ti viver.